Thursday, March 31, 2016

Um novo mundo corporativo, estamos preparados?

Estamos passando por uma grande ruptura em todos os sentidos da vida, seja no ambiente social ou no ambiente profissional. As verdades de ontem, já não são as de hoje, e com certeza não serão as de amanha.

Precisamos entender que historicamente a civilização é cíclica, podemos visualizar este ciclo como sendo uma parábola: ela sai do caos, vai amadurecendo, criando sabedoria, atinge o seu ápice, entra no comodismo e então inicia um caminho descendente, perdendo momentaneamente a noção dos valores, impactando negativamente na moral e na ética.

Cada final de ciclo é definido por uma grande crise econômica, ou por uma guerra mundial, ou então pela conjunção de crise econômica com uma guerra de grandes proporções.

Neste momento, a sociedade, insatisfeita com o "status quo", parte para a inovação em todos os sentidos, sejam eles bélicos, novas formas de comunicação, de fazer negócio, de tratar o dinheiro e também criando um novo modelo politico e econômico.

No meu entender estamos justamente neste ponto, estamos passando por este momento de transição. É um momento de profundas mudanças, onde uma nova e melhor sociedade emergirá como resultado deste "caos".

É importante notar que sempre existe uma evolução em todo este mecanismo; com certeza, a sociedade contemporânea é melhor do que o auge da sociedade do século XVII, e assim por diante. Sempre evoluímos, nunca regredimos.

Gosto de fazer uma comparação dos tempos de hoje, com o que aconteceu pós melhoria da maquina a vapor por James Watt em 1765, o qual tornou a maquina mais eficiente e com um custo menor, permitindo a sua utilização em diversas aplicações, principalmente na industria, permitindo a fabricação em maior volume, quando comparado com a produção manual. Conceitualmente, a maquina a vapor permitiu fazer mais rápido e em maior volume aquilo que era produzido manualmente. 

O mesmo aconteceu com os sistemas de processamento eletrônico, o qual permitiu um maior processamento dos dados em volume e velocidade, quando comparado com as atividades de processamento manuais.

No caso da maquina a vapor, o grande impacto para a sociedade, foi a estrada de ferro, a qual encurtou as distancias, melhorou a comunicação e o deslocamento dos indivíduos e dos produtos, abrindo novas fronteiras comerciais. 

A consequência, em um primeiro momento, foi uma grande migração do campo para as cidades, onde se localizavam as fabricas, pois estas precisavam de mão de obra. As cidades, por sua vez, não estavam preparadas para este aumento populacional, criando problemas de moradia, saúde e aumento da violência. 

Este foi o movimento que fez as pessoas saírem de casa para trabalhar.

Estamos passando por algo parecido e não é pelos sistemas de processamento eletrônico, mas sim pela internet. É o comércio eletrônico, através da internet que esta mudando a sociedade. Ela democratizou a informação, encurtou as distancias, quebrou barreiras e fronteiras, e criou um processo de convergência sem volta.

É justamente este movimento que esta mudando toda uma sociedade, mudança irreversível na forma de comunicação, de interação social, bem como na forma de fazer negócios. É o movimento contrario do que aconteceu na revolução industrial, as pessoas estão voltando para trabalhar em casa.

As empresas denominadas progressistas já entenderam este movimento, e estão reduzindo sua presença física, e aumentando sua presença virtual. 

Empresas como conhecemos estão com seus dias contados, elas não serão economicamente viáveis. 

Provavelmente as novas empresas serão baseadas em parceiras, através de gestão de projetos remotos, com organização totalmente matricial, tendo como base uma plataforma virtual. A estrutura e dinâmica para criação de valores deverá estar associada a uma condição de melhoria para a sociedade.

O interessante é que ainda continuamos querendo gerenciar as empresas da era do conhecimento como gerenciávamos no período pós-revolução industrial. 

Acredito que esta resistência é resultado da miopia gerencial que esta presente na maioria das organizações. Jim Collins, em seu estudo sobre a razão do fracasso das grandes corporações, determina que a arrogância é uma das razões desta miopia.

As organizações e profissionais que quiserem fazer parte deste novo mundo, precisa repensar os processos de governança, as estruturas organizacionais, o modelo de liderança, a gestão de pessoas e/ou parceiros, e identificar as habilidades, conhecimentos e capacidade que serão necessárias para este novo ambiente.

As mudanças são profundas e as empresas e os profissionais que não entenderem e não se prepararem para este novo cenário, não sobreviverão! 





    

Friday, February 12, 2016

Empreendedor, nem todo problema é financeiro!

Como já comentamos em outros artigos, empreender não é uma tarefa simples. Ela requer uma grande dedicação do empreendedor na condução de suas atividades diárias.
Ele entra de corpo e alma na operação comercial e produtiva, mas esquece, ou melhor, acaba não tendo tempo para a atividade de “administrar” o empreendimento. É muito comum ouvir que a empresa está com problemas financeiros, contudo, quando nos aprofundamos na análise da atividade verificamos que o problema é operacional e não financeiro.
O “problema” financeiro é na realidade consequência de uma atividade operacional equivocada. Ele é o efeito e não a causa. Em minhas palestras sempre digo que a forma mais rápida de quebrar uma empresa é o crescimento sem os fundamentos para isto.
Logicamente uma empresa “quebra” por falta de caixa e não por falta de lucro. Caixa é fato, ou você tem dinheiro para pagar as contas, ou não tem! Lucro é simplesmente uma medida. 
Segundo o SEBRAE, 60% das micros e pequenas empresas não completam o seu quinto ano de vida, em sua grade maioria devido a falta de capital de giro.
Não cuidar da gestão da empresa é o maior erro que pode ser cometido pelo empreendedor.  Muitos acham que ter uma gestão estruturada, com controles internos, processos disciplinados e com medidores de desempenho é perda de tempo, é muito burocrático.  Ledo engano, estão com certeza, abreviando o tempo de vida de seu empreendimento.
Para o sucesso do empreendimento é muito importante que o empreendedor tenha uma visão clara da posição financeira da empresa, enxergando os resultados oriundos das operações de compra e venda, de seus passivos, da necessidade de capital de giro, e principalmente de seu fluxo financeiro.
Olhar somente para o faturamento, conhecer os custos somente na teoria, confundir saldo do banco com lucro, não contar com um modelo para formação de preço, ou a falta de relatórios de desempenho são erros recorrentes e encontrados na grande maioria de casos de insucessos ou de empresas com dificuldades.
De forma simples, o empreendedor deve ter uma visão completa e estratégica da operação. Para isto ele deve contar com um sistema básico de controle financeiro, o qual deve ser estruturado dentro da complexidade da operação, e o mais simples possível.
No mínimo, minha sugestão é que o empreendedor conte com as seguintes ferramentas para a gestão e controle:
  •       Demonstração de resultado: Este é um relatório contábil que como o nome diz, demonstra o resultado originado das receitas de vendas, deduzidas dos impostos, custos de produção ou comercialização, deduzidos das despesas operacionais para administração. Ele demonstra se a empresa teve lucro ou prejuízo, em certo período de tempo. 
  •       Posição do contas a pagar: Todas as obrigações devem ser listadas neste relatório, seja de fornecedor, prestadores de serviços, financeiros, impostos, valores provisionados de pagamentos recorrentes mensalmente, como aluguel, salários, energia etc. De preferência, demonstrando por período de desembolso. [
  •       Posição do contas a receber: É um relatório que demonstra todos os valores a receber por cliente, e por data de entrada no caixa.
  •          Fluxo de caixa real e previsto: Este é um dos mais importantes relatórios, mas é importante que seja elaborado com informações confiáveis. Ele demonstra a situação e a capacidade de caixa em um período pré-determinado. Ele é constituído de dados reais, isto é, contas a receber e contas a pagar já conhecidos e também com previsões, principalmente dos custos e despesas mensalmente recorrentes. Minha sugestão é que tenha uma visão de 30 dia diários e mais 60 dias, com visão mensal.  Com isto o empreendedor terá uma visão de 90 dias do seu movimento de caixa, de forma que exista tempo de reação para as ações requeridas para o equilíbrio do fluxo financeiro.

Se tiver alguma dificuldade, chame um profissional especialista para lhe ajudar neste processo. Posso garantir que este gasto não é uma despesa, e sim um investimento, o qual poderá lhe poupar muita dor de cabeça no futuro.
Seja feliz!



Friday, February 5, 2016

O desemprego faz parte da vida do profissional. Confie em você!

O desemprego faz parte da vida de qualquer profissional, principalmente em momentos de crise econômica como este que estamos passando.

Não é uma situação simples, ser demitido tem profundo impacto para a pessoa, como também para seus familiares. Um sentimento de insegurança se instala. Aliado a isto vem uma mistura de surpresa, revolta, indignação e rejeição, contribuindo para o enfraquecimento de nossa autoestima.

O impacto da demissão, em um primeiro momento, faz você perder o chão, depois leva você a ficar paralisado por um tempo.  O importante é que este tempo seja o mais curto possível.

Um novo emprego não irá cair do céu. Você precisará ir à luta, e para isto, você tem que se recompor, precisa serenar seu coração, e o mais importante, confiar e acreditar em você!

Atualmente a demissão nada tem haver com a qualidade profissional, todos nós sem exceção estamos a mercê de passar por isto, então não se apequene e nem se sinta menosprezado.

Levante a cabeça e siga em frente. Aproveite este tempo para refletir sobre sua vida profissional, reveja seus objetivos, acertos e erros, redefina os objetivos e trace um plano.

Você precisa se manter motivado e concentrado no processo de busca de um novo emprego, e isto é um trabalho árduo, e pode levar algum tempo. Não disperse sua atenção, e nem perca as esperanças!

Por diversas vezes você irá se sentir cansado, desmotivado e descrente, mas mantenha-se calmo e equilibrado, estes momentos passam.

O segredo é confiar e trabalhar, e logo você estará empregado.


Quando isto acontecer, não se esqueça destes momentos, pois este é um aprendizado que o profissional deve levar para o resto da vida! 

Thursday, January 21, 2016

Cuidado em empreender na crise!

Empreender é parte integrante de qualquer sociedade, seja em mercados desenvolvidos ou nos emergentes. Podemos dividir o movimento de empreender com base em seu fator de motivação, de forma que, temos o empreendedor motivado pela oportunidade, e o empreendedor motivado pela necessidade.

No primeiro caso, empreender por oportunidade, o processo é melhor estruturado, planejado e executado respeitando um tempo maior de maturação para o inicio de retorno do capital investido.

Empreender por necessidade, é o movimento que tem um crescimento importante,  quando nos deparamos com uma crise econômica ou retração de mercado, onde as pessoas procuram empreender como resposta ao desemprego.

Esta segunda forma de empreender tem uma tendência maior de não ter sucesso, pois, o individuo não se preparar e nem estrutura o negócio de forma apropriado. 

Aliado a isto, ele investe um capital, fruto muitas vezes do processo de rescisão, o qual tem um papel importante para a manutenção do empreendedor e de sua família. Pela emoção, se investe recursos de curto-prazo  em empreendimento com maturação e retorno a médio e longo-prazo, impactando negativamente no fluxo de caixa do empreendedor, podendo criar dificuldades de subsistência, do empreendedor e consequentemente do empreendimento.

Uma significativa parte, entre 50% a 60% das micro e pequenas empresas não chegam ao quinto ano de vida, muito devido a falta de preparo do empreendedor em planejar e controlar as operações.


Se me permite um conselho, não empreenda pela emoção e nem de forma tempestiva.  Primeiro concentre suas energias para conseguir uma nova colocação,  para que após isto, de forma paralela, você possa planejar e estruturar o seu empreendimento.